10 de janeiro de 2019

O Mal de Alzheimer e as suas emoções

No trabalho da Aromaterapia Alquímica não é só Aromaterapia, não é apenas Alquimia - é parceria. Aos parceiros!

Quem trabalha com terapias complementares, ou mesmo convencionais, já pode ter reparado que os assuntos aparecem em bloco. Um belo dia aparece alguém com um problema específico. Digamos que seja alguém com questões de alcoolismo. Certo. Você atende e começa então a surgir outro, mais outro… e você  entra em um “modo sincronicidade”. Ocorre que além de buscar soluções para aquela pessoa, o caminho inverso parece ocorrer. As soluções também parecem estar à sua procura.

Além disso, alguns dias depois seu telefone toca ou entra uma mensagem no seu telefone e adivinha? Outro caso de alcoolismo. É como se você estivesse sendo preparado para aquilo naquela época. E outros virão. Os recados nunca são apenas para aquela pessoa, é um aprendizado em bloco para todos os envolvidos e quem mais ganha com isso é você, não no nível material, mas em termos de aprendizado e bem estar por ter feito um bom trabalho e verificado bons resultados. Não há preço para isto, há sim um grande valor, mas este é imensurável.

Estou mais uma vez na fase de clientes que trazem o assunto Mal de Alzheimer. Acho até que estou escrevendo, não só para contar para vocês, mas é mais uma forma de agradecer a Deus a oportunidade de tantos insights. Claro que faço isso em oração, mas escrever e publicar é ótimo!

Sendo assim, resolvi contar para você algo que muita gente que lerá não sabe. Não tenho esse lance de contar a minha vida na internet, mas quando acho que pode ser de valia para alguém, vamos lá. Ih… de vez em quando conto sim uma bobagem ou outra, afinal sou humana e tenho redes sociais.

Em 2010 passei a cuidar de minha mãe com essa doença. Agradeço a Deus a oportunidade, que além do que pude imaginar, me transformou em alguém melhor. E hoje, é como se ela renovasse os presentes que costumava me dar, através de cada um que a mim se apresenta em consultório, precisando cuidar com a Aromaterapia Alquímica de seu pai, sua mãe, ou familiar com essa doença.

Sim. Usei muitos óleos essenciais e eles foram de grande valia.  Algumas atitudes que nada têm a ver com eles também, e aqui estão elas. Como foram seis anos lidando não só com minha mãe, mas com outras pessoas na mesma condição, já que ela teve o privilégio de poder morar em uma casa de repouso com especialistas, serviço de enfermagem 24 horas; médico geriatra duas vezes por semana; duas cuidadoras para jamais ficar sozinha; fonoaudióloga para exercitar a musculatura a fim de não produzir engasgos e bronco aspirar alimentos; fisioterapeuta para fortalecer a musculatura dos membros e garantir que possa caminhar um mínimo que seja, e quando não mais possível for, mais importante ainda será esse serviço. 

Ah… sim, falei em um aparato que a princípio parece técnico, mas o mais importante – eu estava lá! Às vezes quatro visitas por semana, três ou mesmo uma, dependendo de como a vida me permitisse. Telefonar? Assim que acordava e à noite. Todos os dias.  Aprendi muita coisa e listo abaixo, pois acho que ajuda. Claro, normalmente as pessoas não têm todo esse tempo para dedicar, e tampouco as finanças ajudam, mas foi exatamente pensando nisso que resolvi escrever.

Não sou médica, não sou especialista nessa doença. Meu ponto de vista é de filha e o olhar como Aromaterapeuta é inevitável, portanto incentivo experimentar consultar um profissional da área para ajudar com uma abordagem personalizada ao caso de seu familiar. Faço esta afirmação exatamente porque a bioquímica das pessoas é diferente, e além disso, acompanhei vários casos em casas de repouso e a experiência em consultório acompanhando os idosos e dando suporte às famílias.  Cada caso se diferencia pelo temperamento, condições de vida, histórico médico e até o clima onde se vive. Isto é Aromaterapia.

Providências que parecem simples, mas fazem grande diferença:

  1. Um mural nas paredes com fotos de momentos felizes em família e amigos – incentiva a memória afetiva que, acreditem, pode dar um passeio, mas volta, ela não morre;
  2. Uma seleção de músicas que a pessoa gostava. Surpresa! Ela cantará todas com as letras na ponta da língua – olha a tal memória afetiva aí;
  3. Televisão? Pelo amor do Sagrado! Não! A não ser que seja apenas um canal com desenho animado – tem movimento, é colorido, e traz algo da criança que existe dentro de cada ser;
  4. Se possível, criar um filme no seu celular mesmo está valendo. Grave depoimentos de pessoas que amam seu familiar, pessoas que conviveram com eles, cada um dizendo uma qualidade, uma característica peculiar, algo de bom. Todos têm características únicas e boas para serem lembradas, acredite! A cada vez que o filme for assistido por ele, será um sorriso e “a primeira vez que ele estará assistindo”, pois a memória recente não estará lá, mas o prazer em ouvir algo de bom sobre si mesmo é terapêutico e libertador;
  5. Nunca fale com ele com a palavra: “Lembra?” Nãoooo! Ele não lembra! Sei que é difícil nos convencermos. Leva tempo!
  6. Eles dirão que foram roubados, ficarão com mania de dinheiro. Não se ofenda! Nada é pessoal nessa fase! Eles, de alguma forma, sentem falta da materialidade, do poder de decisão e liberdade que o dinheiro dá. É disso que estão falando. O “dinheiro roubado” é um símbolo apenas!
  7. Hidratação constante, beirando à neurose. Marque hora, se tiver dificuldade, eles usam canudinhos muito bem! Baixe um aplicativo para calcular quantidades de água se quiser. Tem uns que até avisam!
  8.  Toque físico, pelo amor de Deus! Não deixe de fazê-lo! Caso não o faça, o isolamento em que vive o paciente com Alzheimer pode se tornar maior, gerar conseqüências piores para ele e para você. Portanto, caso você tenha questões não resolvidas com seu pai ou sua mãe neste estado, atente para o próximo item, mas não sem antes ler aqui que você por enquanto pode contratar um massagista ou mesmo ensinar aos cuidadores para fazerem uma massagem nos pés de seu familiar. – os óleos essenciais entram aqui, mas sugestões do que usar, virão adiante;
  9. Aqui não é exatamente um item, mas um lembrete: se você tem problemas com o pai ou mãe, lembre-se que os pés estão bem longe dos olhos dele. Talvez venha a sentir, caso venha a experimentar você mesmo fazer essa massagem (não aperte muito – é mais carinho do que massagem, ok?)  – o que recomendo fortemente perceba e lembre os caminhos que aqueles pés trilharam na vida, e ainda que você julgue que não foram os melhores (oh… juízes do alheio que somos, cuidemo-nos!), lembre que um dia esses pés lhe levaram a um momento que o propiciou estar aqui na Terra. Lembre que você foi alimentado, teve abrigo, estudou (ou não), mas de alguma forma está aí nesta posição em que se encontra, e bem ou mal, há sim o que agradecer, honre-o por isso. Tudo é exercício e boa vontade. Se você como adulto não está feliz, já deixou de ser assunto do “papai ou da mamãe” há muito tempo! Você já teve tempo para dar uma virada! É contigo! Dá tempo! Tendo feito o item acima como exercício, aos poucos você chegará aos olhos de seu familiar – olhe dentro deles e fale como se ele estivesse entendendo tudo. A mente não estará, mas o espírito que o habita, certamente fará o registro, este sim eterno.

Assim sendo, só fale quando tiver consciência de que você não tem nada a perdoarvocê tem a liberar, deixar fluir, pois se você se colocar na posição de “perdoar” ou não, estará se colocando em posição de superioridade e sendo prepotente. Quem somos nós para perdoar? Deus o faz, pois tem condições e todo o nosso histórico através da Eternidade, Ele compreende, Ele julga, e quanto à sentença é um assunto entre O Pai Eterno e o pai/mãe terreno. Não se meta nessa relação. A você cabe a generosidade de liberar. Não tente entender, não tente reter… libere…  siga seu caminho livre do peso que é a mágoa (ou raiva). Não se obrigue a perdoar! Não se trata de perdão! É liberação, liberdade, deixar o peso da dor para trás! Sabe quem se livrará de um fardo? Ah, não sabe?! Então eu digo: Você!

  1. Uma vez mais liberado, dê as mãos ao familiar, faça carinho. Garanto que as pessoas que hoje estão nestas condições, foram criadas por outras que não os ensinou, não praticaram o afeto. Antigamente as pessoas eram “muito práticas” e amor era sinal de fraqueza – talvez e quase com certeza, os faltou também. Eles sentiram essa falta de que hoje você se queixa.  É esta sua hora de ensinar – de devolver a ele aquilo que ele lhe deu. Ele cuidou de você, agora você cuida dele – é uma oportunidade que você não imagina o privilégio que é. Se não perceber agora, garanto que mais tarde perceberá.

Sua mãe/pai foi cruel com você? Ok, isso ocorre sim, acontece! Mas e você, é cruel? É um ser humano melhor? Exercite doar-se sem se ferir. Enquanto não conseguir, terceirize o serviço, mas afeto não dá para terceirizar, não? Exercite!

  1. Fale tudo de bom que gostaria de falar, se possível agradeça, fale de amor, e se quiser conte estórias. Tudo olhando dentro dos olhos, ou focando entre as sobrancelhas. Atenção: só se forem coisas boas. Se for falar de mágoas, faça-o ainda quando estiver na fase das massagens dos pés;
  2. Experimente pedir um conselho para algo que esteja acontecendo em sua vida – você poderá se surpreender enormemente, pois quem ali está é o espírito que sabe, e muitas vezes as palavras de sabedoria brotam. A visão além do alcance se faz presente. Temos, eu, as cuidadoras da mamãe – hoje minhas amigas – muitas pessoas das casas de repouso, incluindo as cuidadoras de outros pacientes, que freqüentavam o quarto de minha mãe, muito a falar sobre isso. Ela dava conselhos preciosos – acredite! Assim fazendo, você notará quanto de vida ainda existe ali. O corpo está prejudicado, mas o espírito está lá! É emocionante!
  3. Lembro que se você não estiver dando conta, tente pelo menos alguém para segurar o impacto dos possíveis desaforos – ok, não é pessoal, como já comentamos, mas você irá sofrer assim mesmo. Então, pelo menos até que você consiga entender isso, contrate alguém de confiança – muita! – e vá se preparando.
  4. Pode ocorrer de passarem a detestar espelhos. Eles podem não se reconhecer. Não force a barra! Apenas cuide da higiene, boa aparência e não esqueça que jóias e relógios podem machucá-los.
  5. Se a pessoa estiver acamada, virá-la de hora em hora de lado. Utilizar creme hidratante de forma abundante.
  6. Atenção aos familiares palpiteiros – ouça seu coração e sua experiência com seus pais. Você sabe o que fazer. Não permita que se metam nessa relação!

E por último, e não menos importante… talvez seja o que posso falar de mais valioso. Você não tem recursos financeiros para cuidadores, casas de repouso, fisioterapeutas, fonoaudiólogos em casa uma vez por semana, etc? A maioria de nós não tem! Adapte a realidade. Os óleos essenciais poderão dar uma grande ajuda para você lidar com a situação e para seu familiar. Não substitui profissionais médicos, claro. A visita periódica ao neurologista é fundamental.

Pense na razão pela qual você precisa lidar com todo o impacto que essa condição do Alzheimer causa na sua vida, e tente entender. Ainda que não o consiga, aproveite a oportunidade de tornar-se um ser humano melhor aceitando o que a vida apresenta. Esta tarefa sempre cabe a um dos filhos por mais que sejam 30 irmãos. Na hora, alguém é o escolhido pela Vida, não reclame. Garanto que há uma forte razão para isto e você verá… um dia!

Seu familiar, salvo algumas exceções,  não está em sofrimento. Este fica por sua conta, caso não estude o que está acontecendo com ele e com você. Atenção e controle nas idas ao banheiro, isto é muito importante. Não fique culpabilizando-o por erros passados, guardando mágoas que só ferem a você mesmo, mesmo porque  agora não há outro jeito, se não liberá-las e  se não fizer o que precisa ser feito. Quando ele se for desta dimensão , de alguma forma você poderá perceber que a saudade será algo amoroso, já que você saberá que fez o que precisava ser feito e o que conseguiu fazer. De alguma forma, ele foi se despedindo aos poucos, sem muito sofrimento físico. Portanto, deixo aqui a última sugestão:

  Cuide muito de si mesmo para poder receber esse impacto – dance, cante, saia com amigos, divirta-se como puder. Não esqueça de meditar, fazer yoga, academia (para gastar a energia acumulada), fazer caminhada,… ou não faça nada, reze e use os óleos essenciais. Nada disso? Saia para um chopp com os amigos… religiosamente…!

Apenas sugestão: vetiver nas massagens dos pés (conecta com o mundo e com quem cuida); lavanda contra agitação e insônia – no caso de insônia, uma gotinha de manjerona junto com a lavanda é bem legal! Mau-humor? bergamota, petitgrain, laranja doce; depressão? ylang ylang, bergamota, sálvia esclareia. Claro, Alzheimer precisa de um bom neurologista.Depressão requer muita atenção. Importante é ter o “timing” correto para perceber a hora de  buscar cuidados médicos!

 Pois é, escrevi um tratado, mas ainda mais um lembrete: seu pai e sua mãe são humanos – não são santos nem demônios; não são heróis ou heroínas – são sagrados posto que seus pais e isto basta!

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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