28 de novembro de 2020

Como Levar a Alma Para Tomar Banho

Depois da oração, um banho e a volta para casa

 Republico aqui artigo escrito no nosso blog “Alquimistas por um dia” em março de 2013 – Faço isso porque esse texto mostra um exercício que cabe para o momento atual. 

“Estou diante do computador formatando um workshop sobre chacras e óleos essenciais com um novo olhar que o estudo da Alquimia me proporcionou. Tudo ficou mais claro. Penso que não preciso rever conceitos, só acrescentar e fico feliz com isso. Enfim, pensamentos sérios, mas eis que de repente…

 Uma frase não me sai da cabeça: “por que você não escreve como levar a alma para tomar banho?” Claro, levei um susto, até porque parece título de filme de terror, e não título de workshop. Assim, já que estou escrevendo, e minha cabeça está toda voltada para o centro de energia de criação, imagine você que problema eu arrumei, mas não resisto, vou seguir o fluxo para ver onde isso vai dar.

Começaram a aparecer na minha mente cenas de alguém querendo levar um fantasma para tomar banho, só que ele resistia para entrar no chuveiro, pois estranhava o lugar, nada parecido com um banheiro como ele conhecia. Apesar de, por um lado, querer tomar banho em um chuveiro dourado como aquele, por outro, achava esquisito um sujeito que nem conhecia insistir para que ele entrasse no banho.

Pensei por que motivo um indivíduo que tem um chuveiro dourado enorme quereria dar banho em um fantasma. A explicação não tardou a aparecer. Era um trabalhador da Luz e desse chuveiro não saía água comum e sim jatos de luz violeta.

Precisou muita conversa entre ambos para que o fantasma entendesse a razão de um chuveiro não ter água e sim raios violeta. O trabalhador da Luz explicou que ele, fantasma, estava estranhando porque ainda não havia se acostumado com as novidades de sua nova condição de fantasma, mas afirmou que isso poderia ser bastante interessante. Mas o fantasma pensava muito na família, nos amigos, no trabalho, enfim, em tudo o que deixou para trás.

Ele pensava que só mesmo um bom banho com sabonete de argila o ajudaria a tirar a sensação de peso que sentia no seu “corpo”. Ele queria um jato de água bem forte. Assim, o trabalhador da Luz ficou pensando como resolver o assunto. Tentou dar uma enroladinha no fantasma. “O senhor está se sentindo sujo, mas na realidade não está, vejo que suas roupas estão limpas e não sinto nenhum cheiro que dedure que você não tome banho há muito tempo, pelo contrário.”

O fantasma que usava roupas – acabo de descobrir, estava imaginando-o como o Gasparzinho – preocupava-se com tudo e com todos, no íntimo pensava até que estava se sentindo mais leve, porém a preocupação com tudo o que havia deixado, o impedia de sentir-se bem.

Na realidade, tudo começou com um susto quando acabou de fazer uma oração e deu de cara com aquele sujeito chamando-o para tomar banho. Tinha muita vontade de ir, mas ao mesmo tempo achava que o sujeito era um estranho e chegou até a pensar que o tal estranho é que era um fantasma. Quase ficou com medo, mas a vontade de se sentir limpo e leve era tão grande, que atendeu ao convite, só paralisando quando percebeu que água mesmo não havia.

Desta forma, o trabalhador da Luz, que se chamava Antonio, explicou que aquela luz seria muito mais do que um banho com água e sabonete de argila, pois era pura energia e os efeitos seriam imediatos. Como era um fantasma curioso, pensou rápido e resolveu confiar. Ia começar a tirar a roupa, mas o amigo disse que não seria preciso. Ele entrou pela porta do que parecia um “box” e Antonio apertou um botão, que fazia as vezes de torneira.

Imediatamente começou a jorrar uma luz que iluminou todo o ambiente. Conforme ia descendo pelo “corpo” do fantasma, ele ia mudando de fisionomia. Além disso, a luz passava por ele e descia pelo ralo como se água fosse. Interessante que ao chegar ao ralo, a luz mudava de cor e tomava formas estranhas. Antonio pediu que o fantasma não olhasse, que apenas ficasse de olhos fechados em estado de oração e virado para o lado contrário ao ralo.

Passados alguns minutos, talvez horas, quem sabe, a luz violeta parou de jorrar e foi mudando de cor, passando pelo lilás, azul, verde, amarelo até ficar branca como prata, terminando com a luz dourada como o chuveiro, que a essa altura não mais parecia um chuveiro e sim o próprio sol.

Ao final, o fantasma saiu dali renovado, reenergizado e se apresentou com um sorriso, disse seu nome, contou sua história de vida e comentou que apesar de estar com os olhos fechados, pode notar todas as mudanças de cores das luzes, pois sentia aromas diversos. Percebeu o aroma de lavanda no início do banho, depois sentiu mudar para um parecido com o de rosas, transformou-se para o de capim limão, flor de laranjeira, jasmim e terminou com um suave aroma de angélica. Agradeceu e já ia se despedindo quando Antonio perguntou se ele não gostaria de deixar um recado para aqueles que o conheceram quando ainda não era um fantasma.

Ele apenas respondeu que agradecia a todos os amigos, familiares, e principalmente àqueles com quem teve dificuldades, pois estes lhe ajudaram a ter uma postura diante do Infinito muito diferente, já que o fizeram ver que aquilo que conhecemos como humanidade é ilusão, pois ao se fortalecer para enfrentar tais dificuldades, viu a si mesmo como um ser capaz de coisas das quais não se orgulharia se permanecessem. Hoje, disse ele, sei que apenas o Amor permanece em gratidão, consciência da luz e na certeza de que o amor é a matéria prima da luz de que somos feitos.

Antonio ainda perguntou para onde iria. Ele apenas respondeu que iria voltar para Casa, se fundir com o Pai, a Mãe, Irmãos e Parceiros Sagrados no Cosmos, que é a Casa de todos nós.”

Foto chuveiro: https://unsplash.com/@chanphoto

Pessoa caminhando na luz: Photo by Yasin Ar?bu?a on Unsplash

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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