31 de março de 2015

Feminino – Seus Mitos e A Verdade Contemporânea Individual

Quando coração e mente se encontram. É o que nos mostram três mulheres - três mitos. Autoestima e instinto de autopreservação.

Mu1001 Noitesito se fala no Feminino, no resgate dos valores femininos e do que este representa. Não poderia ser diferente, já que os tempos clamam por mais suavidade, proteção, beleza, nutrição e cuidados.

Ocorre que este tema não se esgota e nem pode, pois a necessidade destes valores se faz cada vez mais premente.

Há uma infinidade de workshops, cursos e vivências falando nas deusas gregas e em todas as formas de mitologia tratando do tema Feminino. Acreditamos que isto se deva ao fato da urgência em não deixar que os valores por elas representados  caiam no esquecimento.

Tais valores são símbolos encontrados no nosso cotidiano cada vez mais raramente.

Como todo mito, há variações de acordo com a época, posição geográfica e até as religiões predominantes da localidade, e claro, da visão de quem se responsabiliza em contá-lo.

Assim, temos as mesmas deusas gregas em Roma, já com nomes diferentes e histórias semelhantes, deusas celtas, africanas, enfim, se compararmos, as estórias são sempre as mesmas, com variações temporais e regionais, acrescidas de um ou outro ponto de vista conveniente à época e ao local.

Neste momento podemos lembrar de três personagens femininos que precisavam proteger-se da violência de um pai tirano, aguardar o amor de sua vida ou mesmo salvar a vida de outras mulheres. Fizeram com a inteligência do coração, utilizando a calma, a estratégia e o amor. Ainda que só no final pudessem revelar seus verdadeiros sentimentos e intenções. Estavam ocupadas se protegendo e às de seu gênero. Importante lembrar que o que menos importa é o gênero e sim os valores que ele representa.

Na Ópera de Puccini, a Princesa Turandot, obrigada por seu pai a casar-se para salvar a dinastia, consegue enrolá-lo propondo que obedeceria a suas ordens, desde que pudesse propor aos candidatos três enigmas. Aquele que acertasse os três teria sua mão em casamento. Todos desistiram, com exceção do Príncipe Desconhecido que acerta as três perguntas propostas por Turandot. Em desespero, ela roga ao pai que a proteja, mas não há jeito. Promessas foram feitas para serem cumpridas.

Entretanto, o Príncipe dá uma chance a ela. Caso fosse capaz de descobrir seu nome até a aurora do dia seguinte, seria liberada de sua obrigação em casar e ele mesmo seria sacrificado, dando sua cabeça aos carrascos. Assim, ela ordena que todos os funcionários saiam às ruas a fim de descobrir o nome do príncipe. Além disso, exige que ninguém durma (Nessun Dorma – o nome da ária cantada pelo príncipe).

Após tentativas sem sucesso, ele se apresenta diante dela, que pede que todos saiam, o olha com doçura e ele finalmente revela seu nome. No momento em que os guardas chegam, ela se recompõe e ao invés de pronunciar Calaf –  o nome do príncipe, ela diz que seu nome é Amor, e acabam por se unir em casamento.

Sim, esta é uma das versões da ópera escrita em 1926. Na mitologia grega, temos Penélope que faz e desfaz sua tapeçaria enquanto aguarda Ulisses voltar da guerra, estando ele ausente por longos anos. Assim, ela conseguiu se manter fiel ao marido, já que seu pai queria que ela casasse, posto ninguém acreditasse na possibilidade de ele estar vivo.

Enquanto durante o dia coloria seus olhos com os fios e desenhos tecidos, à noite desfazia a tapeçaria ao mesmo tempo em que tentava através dos nós desfeitos, desfazer seus medos e sentimento de solidão. Seu artifício foi descoberto  por seu pai já havia passado muito tempo.

Ainda assim, ela propôs  uma nova condição. Casaria com aquele que conseguisse utilizar com destreza o arco de Ulisses, sabendo ser impossível, devido à rigidez deste. Finalmente um camponês conseguiu, que revelou-se ser o próprio Ulisses disfarçado.

E finalmente, lembramos de Sherezade, que ciente da decisão de um rei traído por sua mulher com um servo da Corte, de mandar matá-los, passando a casar todas as noites com uma mulher diferente. Ao amanhecer, mandaria matá-la, pois assim garantiria que jamais seria traído outra vez.

Sherezade não aguentando tal absurdo, propõe ao seu pai –  o primeiro-ministro – uma solução. Ela mesma casar-se-ia com ele. E não houve argumento que o pai pudesse usar, ela estava decidida e casou-se com o rei da Pérsia.

Já na primeira noite, ela pediu licença para fazer sua irmãzinha que chorava muito, dormir. E isto se daria contando uma estória para ela. Levou a criança para o quarto e começou a contar uma bela estória.O rei se interessou tanto pelas aventuras, romances e emoções provocadas pela narrativa, que exigiu que ela continuasse, mesmo a criança já estando dormindo. Sherezade argumenta que está amanhecendo, que ouve os carrascos afiarem suas espadas.  E assim foi por alguns anos. Ela parava a estória estrategicamente em um ponto culminante, deixando o rei morto de curiosidade.

Ele dormia durante todo o dia, acordando ao anoitecer e exigindo que a esposa continuasse.  Na manhã do 1002º dia ela revela que nada mais tem a contar e pergunta se ele havia percebido estarem casados por 1001 noites. Batem à porta dos aposentos reais e ela diz: “deve ser o carrasco para me levar para a morte”. Entretanto, quem adentra o quarto é sua irmã, que havia se transformado em uma linda jovem. Trazia nos braços um casal de gêmeos e ao seu lado um bebê mais velho engatinhando.

Ela fala ao rei: “Quis que você conhecesse meus filhos antes de me mandar ao carrasco, estes são nossos filhos. Você não percebeu por estar distraído com as estórias que lhe contava.” Ele, por sua vez, percebeu o quanto a amava e não podia viver sem sua presença e a de seus filhos, que iluminariam seus dias e suas noites, tornando-os doces e felizes. Se casaram pela segunda vez e foram felizes para sempre, na medida do possível e com o jogo de cintura característico à Sherezade.

O que temos em comum aqui? Sherezade é um conto persa do Século IX, Penélope é uma personagem da mitologia grega e Turandot uma ópera italiana de 1926.

Existe alguma semelhança entre essas mulheres e as dos dias atuais? Conhece alguém com este tipo de inteligência? Você seria capaz nos dias de hoje, de utilizar este tipo de estratégia para conquistar ou manter um amor? Ah… por um trabalho sim? Por poder, dinheiro? Conte como você agiria. Acha que cabe esse tipo de comportamento? Na sua opinião qual o signo solar dessas mulheres?

 

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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