25 de janeiro de 2020

Uma história dos três Tempos em Um só Tempo.

Três tempos, três deuses. Na verdade, o Tempo e o Sagrado.

 Todas as vezes em que me vejo diante de uma oportunidade e tenho dúvidas, lembro-me de minha avó. Ela costumava repetir: “a oportunidade é uma mulher careca que só tem um fio de cabelo. Ela passa correndo por você, e caso você não agarre com força aquele fio de cabelo, sabe-se lá quando ela passará de novo.” Falava e completava: “a oportunidade anda de mãos dadas com a Fé. Se não a vir ao lado da Oportunidade, corra, pois pode ser, ao contrário, armadilha!”

Minha avó nunca estudou filosofia, mitologia ou coisa parecida, mas a Vida vivida com atenção pode ensinar até aquilo que não consta dos livros. E nesse caso, chama-se Sabedoria Popular. Como vemos, tem base sólida. Talvez esta base seja o Inconsciente Coletivo.

Na verdade, ela estava falando de um deus da Mitologia grega. Trata-se de Kairós, que é o Tempo certo – nem antes, nem depois, mas Agora! Ele é a Senhora Oportunidade de que minha avó  falava. A hora exata, percebida e sentida por nós.

Kairós é a própria liberdade, faz o que quer e quando quer. Anda nu, tem asas nos pés e nos ombros. Adivinha…? Tem um cacho de cabelo bem na testa, e o resto da cabeça é careca. Claro,  como é muito rápido, um verdadeiro atleta, passa correndo ou mesmo voando.

Importante saber que só o alcançamos através do sentimento, algo como li em algum lugar, mas bem me parece  com o pensamento oriental – seria o Tao? : “não hoje, não agora, mas Agora é o momento exato.” Ele é tão livre que não tem nomenclaturas, como dia, noite, minuto ou hora…, nem outra espécie de controle ou marcação. É indeterminado.

Estamos acostumados a lidar com  Chronuso Senhor do Tempo, todo certo, cronometrado, como o próprio nome dele sugere,  controla a tudo e a todos, e com ele não tem essa conversa de “espera aí…!” ou “dá um tempo!” Ele já se doa para a Humanidade, mas nos seus próprios termos. É ele quem determina o tempo – séculos, eras, anos, meses, dias, minutos e segundos… e claro, quando ele resolve se retirar, a pessoa, o evento, século, ou o que seja, é findo. Tem limites e dá limite ao homem – Ele é quantitativo.

Falando em tempo sequencial, podemos lembrar que ele, como marido da deusa Réia, teve seis filhos, um atrás do outro, e assim os engoliu, não dando chance para que sobrevivessem, pois estes poderiam vir a ocupar seu lugar, conforme havia sido profetizado. Achava mais seguro para manter sua posição se livrar dos próprios filhos.

Mas…, como costuma acontecer com quem fica obcecado com algo, acaba não prestando atenção nos detalhes óbvios, imagine os sutis – no caso dele, estava tão preocupado em engolir criancinhas que nem notou quando Réia o entregou uma pedra enrolada num pano fingindo ser o filho que acabara de dar a luz.

Ah… se ferrou! E não parou por aí… Zeus, o filho que foi salvo , ajudou Réia, e deu ao pai uma poção mágica que o fez vomitar todos os filhos engolidos. Estes, tornaram-se imortais, pois não foram submetidos aos caprichos e à vontade do Senhor  Tempo.

Mais tarde, Zeus teve seus próprios filhos e o mais novo chamava-se Kairós, filho dele com a deusa Tiche – da Boa Fortuna – este não tinha limites, não podia ser controlado, era ágil e herdou da mãe a bênção da Boa Sorte, aquele que traz surpresas, e sempre boas. Na verdade, considero Kairós um Portal – é…, pois quando ele passa, se pegarmos naquele tufo de cabelo que ele traz na testa, estaremos no lugar, no momento e na situação ideais. Ele vem como um facho de luz para a nossa Vida, precisamos estar atentos.

Isto porque na verdade, se o deixarmos passar sem que aproveitemos sua presença, poderemos estar perdendo muita coisa. Inclusive, seu nome tem algo a ver com a palavra krisis. Imagine uma pessoa doente – o momento em que a cura se faz urgente é exatamente quando ela tem a crise e não há tempo cronológico a perder (Chronus),  o paciente e o médico precisam se ligar para entrarem com a medicação no momento oportuno, exato – Kairós,  nem passado, nem futuro, ele é um Presente dos deuses, ou melhor, ele é o Presente e ele mesmo é um deus.

Fiquemos ligados para quando ele passar, pois é neste momento em que abraçamos e somos abraçados pelo Sagrado, e,  se tivermos a consciência e o “timing” de agarrar em seu cabelos, teremos a bênção de sermos felizes e sabermos disto na hora exata – algo como: “estou sendo feliz…!! Ele é qualitativo!

Kairós está contido em Chronus, é seu neto, mas se observarmos com cuidado, ele está presente em todos os outros deuses. Só neste momento posso imaginá-lo presente em Eros, em Dionísio, em Vênus, Marte, todos estes vibram no tempo, buscam e doam prazer, cada um a seu modo.

A boa notícia é que não apenas os deuses imortais têm esse privilégio. Todos nós temos as bençãos de Kairós. Só precisamos nos determinar a estar atentos para identificar quando ele chega, e  assim usufruirmos dos privilégios que nos são apresentados.

De qualquer forma, esta atenção é necessária a todo o tempo (Chronos), já que “oportunidades” que nos são oferecidas muitas vezes nada têm a ver com Kairós, muitas vezes são até armadilhas. Você já ouviu: “estou lhe oferecendo uma grande oportunidade…?” Cruzes… tenho até medo. Lembro logo de minha avó – e hoje em dia, lembro também de vários episódios da minha e da vida das pessoas em que a tal oportunidade era exatamente o que minha avó falava. Hoje vejo se a Fé está com ela. Se não sinto pelo menos sua mais leve presença, corro na direção oposta!

Kairós é boa oportunidade, é aquela que você sente! Do latim opportunitas  … opportunus  do prefixo ob-,=“em direção a” +  portus, “porto”. Esta palavra era usada  para representar os ventos favoráveis que levavam os barcos à vela a partirem e chegarem a um determinado porto.

Determine de que porto você quer partir, em qual quer chegar, observe a direção do vento e chame, aguarde Kairós e carpe diem! Ele não julga, não há certo ou errado, o que há é livre e leve e convida você a se sentir assim. 

Tempo Sagrado, tempo Eterno, oh Aion, és a Eternidade! Tempo que delimita, mas dá ordem às coisas e se doa, és tu, Chronus. E a você Kairós, que é o Presente que nos possibilita vivenciar o Tempo e perceber que os três são Um só Tempoo Sagrado Tempo Divino. Gratidão por isto.

Óleos Essenciais:

Chronus –  cipreste – siga o link e veja o que esta árvore pode fazer – o tempo limita, abre um ciclo, fecha outro, abre um novo… tudo num Sagrado Continuum… Lupy e a Árvore da Fluidez contará para você tudo o que seria necessário escrever aqui. Ela ilustrará melhor do que eu.

Kairós–  Sempre Viva – desbloqueio de caminhos, de emoções, desemaranhador de nós espirituais e emocionais, proporciona a visão da Vida como um Todo a se agradecer.

Aioneucalipto globulus – ele liberta, abre nossos olhos para o senso de Oportunidade, podemos ousar a alçar nossos próprios vôos. Nos ajuda a sentir a Vida fluindo em nós. Senhor  do Infinito.

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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