31 de agosto de 2017

Flor de Lótus ou lírio d’água?

Quando um único aroma é capaz de produzir fascínio, paz de espírito, alegria, êxtase, cura, verdade ou ilusão. A escolha é nossa.

Ah… essa questão me atormentou durante dois dias. Quem é uma? Quem é outra? São irmãs? Primas? Por que podemos confundí-las? Bem…, uma tortura, porque sou meio detalhista. Até que meu lado mais feliz sempre prevalece.

Ora, não sou especialista em taxonomia – ciência que identifica e classifica organismos vivos. Por exemplo, as plantas. Minha especialidade são os aromas das plantas e suas funções. Ok, mas identificá-las faz parte disso, inclusive pela sua forma.

Foi neste momento que pirei. Vi uma foto de uma flor de lótus e sem dúvida afirmei: “flor de lótus”. Depois a minha mente conversadeira falou assim: “uhm… acho que você viu uma “water lilly”, que vem a ser o lírio d’água.

Então fui possuída pela minha Lua em Virgem e tudo começou. O lírio d’agua tem o nome científico de Nymphaea spp e a flor de lótus chama-se Nelumbo spp. Apesar de terem os nomes diferentes e algumas características idem, uns especialistas as classificam como da mesma família, a Nymphaeaceae, outros não.

E pronto! Agora chega! O meu lance são os significados simbólicos e suas lendas. Assim, comecei o meu trabalho: ocupar meus pensamentos com a flor de lótus e o lírio d’agua. Convivi com o símbolo,  cheguei a algumas conclusões, não sem antes pesquisar os nomes científicos.

Quando falamos de lendas e de mitos, existem inúmeras contradições, até porque não existe verdade absoluta quando o assunto é esse. Assim sendo, uns adotam a versão que mais lhes toca a alma, outros ficam com a versão que acreditam mais factível.

 No nosso caso, fazemos uma mistura das duas opções. Uma dose de sentido e várias de poesia é sempre o que prevalece. Assim, lembrei  algo, que conto para vocês.

A fada encarregada de tomar conta das flores precisava dar uma função para cada uma delas, ela gostava de seguir determinados critérios que achasse lógicos. Assim, no dia em que ela veio a Terra dar funções energéticas e simbólicas para as flores, determinou:

“O lírio d’agua e a flor de lótus terão funções curativas e serão confundidas porque farão parte dos Mistérios Sagrados do Mundo. Irão desde o  laboratório do Alquimista mais determinado em fazer panacéias que curarão toda sorte de doenças até os salões mais festivos onde as pessoas se entregarão aos prazeres mundanos devido ao estado de consciência alterado.

Isto pode ocorrer pela bebida feita com essa flor misturada ao vinho tinto, ou pela simples inalação de seu aroma. É claro que “prazeres mundanos” significa cair na gandaia e liberar geral, né?

Conta-se que as pessoas saíam das festas tão felizes que se sentiam curadas e sem problemas. Nem preciso dizer que nessas festas, elas poderiam arranjar outras mazelinhas, mas aí já é outra estória.

Essas flores terão o poder do Sol e da Lua, portanto os elementos da natureza presentes nelas serão em perfeito equilíbrio. Terão a função de viver durante o dia ao sol, brilhar, enfeitar e inspirar a todos os que descansarem seus olhos nelas. Seu aroma terá a função de alegrar até o mais triste dos mortais. Lembrando sempre que se exagerar na dose, pode ocorrer o que aconteceu com uns soldados, que já conto para vocês – apenas para adiantar – eles esqueceram de voltar para casa!

Além disso, a cada um que detiver seu olhar nelas com reverência e lhes apresentar mentalmente que seja,  uma questão difícil, elas trarão a solução.

À noite mergulharão nas águas do lago, e de lá sairão no dia seguinte ao nascer do sol com o assunto processado e uma solução que será dada pela própria pessoa, pois acredita-se que sua magia está a serviço da humanidade, mas esta precisa fazer sua parte.

Assim, no dia seguinte a pessoa deverá voltar ao lago, no máximo até às 09 horas da manhã e meditar com os olhos abertos em direção a elas. Elas poderão “ler nas pétalas” a solução para suas dúvidas e sofrimentos. O importante é que seja feito com a consciência de ser UM com o Universo. Terão a inspiração necessária.

A fada ainda determinou que o lírio d’água e a flor de lótus deverão ter funções muito parecidas, porém uma e outra serão mais próximas do coração de determinadas culturas.

E assim, a fada saiu espalhando lendas e sementes das flores pelo mundo afora.

Lá pelo Egito, ela plantou o lótus azul do Egito ou lírio d’água azul egípcio. Era lá que rolavam aquelas festas onde o lótus azul era misturado ao vinho. Os artistas da época não faziam nada sem que constasse um desenho desse lírio em suas obras, pois era sagrado e trazia boa sorte. Assim, podemos vê-lo gravado em pedras, nas pinturas onde um dos motivos recorrentes eram cenas de festas e danças.

Inclusive alguns estudiosos sustentam que no Egito àquela época não existia a planta chamada lótus, cujo nome científico é Nelumbo nucífera. Mas prometi a mim mesma que não vou ficar nos detalhes. É porque aprendi esse nome hoje e por isso estou mostrando que eu sei…rsrs

Como já falamos do Egito, preciso contar que a fada quando passou pela Grécia inventou de dar outro nome ao lírio d’água, e assim surgiu a flor de lótus. Ela estava tão feliz que chamou as ninfas e fundaram uma ilha só de flor de lótus. Caramba…! Vocês nem imaginam o que rolou por lá! Será que foi por causa das ninfas que tomaram o nome de Nympheia?

Uma coisa ficou tão famosa que tem escrito em livros de respeito. É sobre os “Lotus Eaters”, ou “Comedores de Lotus”. E esse livro não é pouca coisa – trata-se da Odisséia de Homero, onde há uma narrativa de que Ulisses em seu caminho de volta para casa, foi parar sem querer, levado pelos maus ventos, numa ilha onde as pessoas eram pacíficas.

Até aí tudo bem. Ele mandou três homens para fazerem o reconhecimento do local e … sumiram! Como assim? Pois é, eles comeram uns frutos da ilha e esqueceram-se de voltar. Só isso. Estavam tão “numa boa” que precisaram ser carregados e amarrados por Ulisses, pois do contrário, ficariam ali para sempre. Na verdade, esse “numa boa” poderia ser substituído por alienados, né?

Não eram prisioneiros de nenhum carrasco, o povo era pacífico. Então, quem era o inimigo que os aprisionava? A vontade deles mesmos de não enfrentarem a realidade, “esqueceram dela” ao comerem a flor de lótus.

Sim. Esta flor, além do prazer e do bem estar, altera o estado de consciência das pessoas, podendo levá-las ao “paraíso emocional” ou às ilusões, onde nada é realizado.

Assim sendo, a mitologia por si só já nos dá uma pista de que na ilha onde todos eram pacíficos e receberam bem os guerreiros, havia abundância da flor sagrada. Entretanto, ao exagerar na dose, digamos assim, eles se perderam e foram obrigados a voltar à realidade na marra por Ulisses.

Onde parece não haver problema algum é ali que subjaz o maior dos perigos!

Isso acontece com drogas e com toda e qualquer forma de excesso, inclusive de religiosidade, pois a própria flor de lótus, com sua sacralidade e propriedades curativas, tirou os três guerreiros de combate, precisando que Ulisses os obrigassem a voltar à realidade.

A flor de lótus nos traz algumas lições: ela capta o problema à luz solar, isto é, durante o dia (ou a vida); se fecha em copas durante a noite (se isola para contatar a si mesma e à sua partícula divina); mergulha nas profundezas das águas lamacentas (nosso inconsciente e emoções não processadas) e volta à luz para brilhar, viver e cumprir sua função. Volta tão forte e bela, não permitindo que as águas do lago (seu ambiente) suje suas flores. É um mistério a impermeabilidade dessas flores. Isto está sendo estudado pelos cientistas.

Conta-se que suas sementes são tão longevas que podem ficar mais de 4.000 anos na água aguardando as condições ideais para voltar a germinar. Nos ensina que para cada coisa há seu momento certo. Precisamos saber identificar as oportunidades.

A fada ainda espalhou sementes e lendas em outros lugares, como na ilha de Java – do lírio d’agua; no Oriente – a flor de lótus está ligada à Buda, que conta-se, ele ainda criança ao dar seus primeiros passos, deixava um rastro dessa flor no caminho. Está associada à Mãe Divina, e até aqui no Brasil está representada pela Vitória Régia, como lírio d’água, que hora dessas conto pra vocês.

Quanto aos significados, são tantos, que acredito que podemos escolher. Pela minha experiência com o uso do absoluto de ambos, obtive efeitos parecidos e fantásticos. Pudemos observar serem euforizantes, antidepressivos e inspiradores.

Atuam de forma maravilhosa no chakra frontal, facilitando a meditação, propiciam autolibertação, quando o indivíduo para de cobrar-se ação e passa a agir conforme seus sentimentos e intuições, portanto com segurança em suas atitudes.

Seus efeitos na libido também não podem deixar de ser mencionados. Devem ser usados em ínfimas quantidades, principalmente quando for o caso de necessitar de meditação, inspiração, bons sonhos reveladores.

Agora, se suas intenções forem para algo mais agitado, pode utilizar um pouquinho a mais. Nossa experiência foi a utilização em perfumes.

Utilizamos o absoluto (não existe óleo essencial desses aromas) tanto de lótus branco quanto do lírio d’agua importados da India, de fornecedor idôneo. Entretanto, lamentavelmente perdi o contacto, mas ainda nos restam algumas gotinhas que valem mais do que ouro. Alguém aí indo para a Índia?

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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