15 de maio de 2017

Estrada dos tijolos dourados

"Não há lugar como o nosso lar". Realmente. Qual seria o lar a que Dorothy se referia? Ela encontrou o dela. E você? Já encontrou o seu?

Completando-se 10 anos de escrito, (18.05.2007), trago para o site uma reedição revista do meu primeiro artigo sobre o Mágico de Oz. Dorothy enfim chegou à sua própria “casa”.

“Apenas para ficar mais poético, vou começar assim:

“Numa tarde chuvosa, dessas em que você recebe a visita daquele senhor chamado pelo nome de “tédio”, conhecido por muitos, tocou a campainha aqui de casa… oh, quero dizer, bateu-me à porta – essas figuras não tocam campainhas, pois você pode despertar e não é esse seu interesse, ao contrário.

Apesar de disfarçado, descobri que era ele. Foi facilmente identificado pois quando olhei pelo olho mágico, senti sono, certo enjôo de coisas e pessoas. Pressentindo o perigo mandei que dissesse a senha – aqui em casa só se pode entrar dizendo a senha correta. Consegui driblá-lo, pois ele não sabia a resposta,  não priva de minha intimidade, graças a Deus!

Entretanto, para garantir que o perigo fosse afastado de uma vez,  corri ao computador para pedir ajuda. Música, por favor! E ela estava lá em forma de uma que começa assim:  “Somewhere over the rainbow…  Nada melhor para afastar o tédio do que uma boa música. Conhece? https://www.youtube.com/watch?v=5njG95T2wy8

A vida tem seus mistérios e códigos. Uns chamam de coincidência, outros de mágica ou mesmo de sincronicidade. Aqui, eu prefiro chamar de afinidade. No dia seguinte seria o Dia das Mães.  Adivinhem o meu presente: Ganhei um  altamente significativo – um quadro com Dorothy, O Espantalho, o Homem de Lata e o Leão, fotografia na mesma cor do início do filme. É dele mesmo que falo – O Mágico de Oz. Peguei o filme, que também me foi dado pelo meu filho e mergulhei! Bem, afinidade, magia, sincronicidade… o que for, inclusive sorte! Acredito nela.

Se você o assistiu, é um privilegiado, e se ainda não, recomendo – é um clássico. Continue lendo, que duvido que você não queira ver o filme logo, nem que seja só por curiosidade. Aí vai:

Dorothy após um tornado vai parar em um lugar chamado Munchkinland, tendo um encontro com o próprio Self – ok, para ficar mais democrático, posso substituir a palavra Self por “Eu Superior” ou “Sua Mais Pura Essência”; bem, vocês entenderam, né?

Pois é, ela encontrou com a Fada Glinda, toda de cor de rosa, que é a cor do chakra cardíaco e da harmonia. Glinda, após acabar com a Bruxa do Oeste, consegue pegar seus sapatos de rubicor do chakra básico, ou seja, da ação – e entrega para a menina sua ferramenta mais preciosa, dizendo que, acontecesse o que acontecesse, ela não deveria tirar aqueles sapatos, ou seja, não desistir da realidade e da ação.

Sendo Dorothy a figura da Intuição, porém sem consciência, este seria o melhor presente, pois recebeu literalmente “os pés no chão” – ao que poderíamos já nos dar por satisfeitos, pois era o que faltava, pensaríamos.

Ela faz a caminhada com seu cãozinho Toto, que é o instinto e que sente o cheiro das coisas, aliás, bem próprio dos intuitivos.

Para que um Ser Humano esteja em equilíbrio, fica faltando o pensamento e o sentimento. Era o dia de sorte da menina. A Fada a instrui  para que as coisas dêem certo para ela e finalmente consiga “voltar para casa”: deveria caminhar pela Estrada de Tijolos Amarelos – que aqui substituo para “Tijolos Dourados”, pois este significa o Caminho do Meio que os orientais procuram (e alguns de nós também, né?). E assim é feito.

Como era o caminho “dela”, durante o percurso encontram o Espantalho, (Toto o encontra) que diz: “Se pelo menos eu tivesse um cérebro, poderia pensar, falar coisas importantes…” E ela sem entender muito bem, responde que ele está falando, portanto, pensa. Ele retruca dizendo que “Muitas pessoas falam, mas isto não quer dizer que elas realmente tenham um cérebro.”

Assim sendo, Dorothy generosamente aceita quando ele pede para acompanhá-la em sua viagem pelo Caminho, já que o Mágico iria ajudá-la a “voltar pra casa”, e  diz que o Mágico também poderia conseguir um cérebro para ele.

O Espantalho sem cérebro a ajuda, inclusive, a conseguir se alimentar na estrada, enganando as macieiras que se recusavam a doar seus frutos à Dorothy, batendo na mão dela. Ele finge que não querem aquelas “maçãs bichadas” e num acesso de ira, elas mesmas (árvores) lançam seus frutos contra eles.

Continuam andando até que encontram algo metálico; entra em cena o “O Homem de Lata”. Ela e seu companheiro de jornada o ajudam a lubrificar-se e ele consegue falar: “Eu não estou inteiro, se ao menos eu tivesse um coração, poderia…”.

Desta vez Dorothy nem pensa e o convida para acompanhá-los, pois se o Mágico vai ajudá-la a “voltar pra Casa” e conseguir um cérebro para o Espantalho, poderá muito bem providenciar um coração para ele.

Já temos aqui três funções psicológicas: a Intuição com o instinto na pessoa de Dorothy e Toto, o Pensamento na figura do Espantalho e o Sentimento representado pelo Homem de Lata. Porém, nenhum dos três está em equilíbrio. Para isso seguem juntos, se apoiando mutuamente, pela única estrada possível: A Estrada de Tijolos Dourados, o caminho de Casa.

Entretanto, existem as pedras no caminho, quer dizer, as bruxas no caminho, já que a irmã da Bruxa do Oeste aparece para ameaçá-los. O Espantalho é obrigado a enfrentar seu maior medo, o fogo. A Bruxa lança uma bola de fogo contra ele, dizendo que vai fazer um colchão com sua palha. É ajudado pelo Homem de Lata que apaga as chamas que o alcançaram.

E este, por sua vez, é ameaçado de virar casa de abelhas. Um ótimo exemplo de capitalizar a adversidade: transformaram o medo e uma possível raiva, em vontade de seguir em frente com coragem e generosidade, pois declaram com determinação que verão Dorothy encontrar o Mágico de Oz, mesmo que eles não consigam seus intentos, cérebro e coração.

Ao avançar floresta adentro começam a sentir certa apreensão, que realmente não é infundada. O medo se manifesta na figura de um leão que surge ameaçador. Entretanto, quando confrontado pela atitude da menina, revela-se mais medroso do que todos juntos. Um leão que não contava carneirinhos para ajudá-lo a se livrar da insônia porque tinha medo dos carneirinhos! Podiam relaxar! Será?

Mas nem todos os obstáculos haviam sido superados. A Bruxa ataca mais uma vez enviando um encanto com aroma tão forte e doce, que os deixa inebriados; Dorothy e Toto caem no sono. São salvos pela percepção daquele que não tem cérebro. Identifica que é magia e não se deixa pegar, ajuda o Homem de Lata e ambos gritam por socorro. Mais uma vez Glinda aparece e joga uma espécie de cobertor de neve sobre eles, que acordam.

Agora encontramos as quatro funções psicológicas juntas, já que o Leão, como mostra o filme, representa a falta de consciência da realidade.

Finalmente encontram o Mágico de Oz. Porém seus problemas estão longe de terminar. Este dá uma função para eles. Têm que conseguir a vassoura da Bruxa. Após muito sufoco, com direito ao seqüestro de Toto; sua fuga bem sucedida como instinto que representa, corre em busca dos três companheiros de Dorothy e os traz até à torre onde ela está presa.

Deparam-se com suas sombras,  na figura de três guardas do castelo da Bruxa. Conseguem vencê-las, e se segue a descoberta de um homem comum (nem tão comum assim) por detrás das cortinas, já no Palácio das Esmeraldas.

É este o Mágico de Oz que, usando de bom senso, condecora a cada um deles. O Homem de Lata recebe um diploma de PHD (em “Pensamentologia”), o Leão uma medalha por sua coragem, com um conselho: que deixasse de confundir coragem com sabedoria, o que precisava era organizar seus pensamentos. Por fim, o Espantalho, ganha um relógio em formato de coração que faz tic-tac bem alto, com as seguintes palavras do suposto Mágico: “E lembre-se, meu amigo sentimental, um coração não é julgado por quanto amor ele é capaz de sentir, mas sim por quanto ele é capaz de ser amado pelos outros”. Estão inteiros e conscientes. Desce a cortina.

Quem conseguiu fazer uma analogia dos personagens com os 4 Elementos, fico feliz, mas esse é outro post, ok?

E eu, meus caros, digo que um filme não pode ser julgado apenas pelo seu roteiro ou atores, mas pela intenção que temos em apreender algo com ele.”

Nota: Apesar da reedição ter sido revista e ampliada, opto pelas aspas. Afinal, é um artigo escrito há 10 anos.

Nota 2: O Mágico de Oz é um filme da Warner Bros de 1939.

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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