Bruxa, feiticeira, mágica, alquimista? 

A resposta à pergunta título é: Tudo isso e nada disso. O nome exato é mulher.

Não! Calma… Não vou dizer que as mulheres são isso ou aquilo,  porque elas sabem o que são e as que ainda não sabem, ah… quando precisarem saber, saberão na prática e na força da criação.

Hoje é o Dia das Bruxas,  mas celebro a oportunidade de estar aqui na Terra, que me foi dada por Deus através da  minha mãe. Pois é…, minha mãe  fazia aniversário dia 31 de outubro.

Ela era a celebração da Vida e da Fé. Não era tradicional em nada, portanto não era mãe típica. O que é  isso? Ela não  era mesmo uma pessoa comum.

Diante de desafios  costumava dizer que “chamava Deus pra briga”…, significava que  questionava a situação em oração e largava na mão Dele.  A ela caberia sair em busca de solução – sabia que no Caminho a encontraria. E sempre encontrou mesmo. Acho que além de fé, isto se chama determinação.

Momentos de tristeza todos nós temos, afinal “esse é um planeta de transição – de provas para o espírito humano” -, dizia, mas nem por isso podemos nos entregar.

Respeite a tristeza, mas não a faça reverências, não a deixe se ajeitar na cadeira. Não! Se ela já tiver se atrevido a sentar sem que tenha sido convidada, seja gentil e convide-a a retirar-se com música e roupas coloridas. Ela odeia que cantem, e ouvi dizer que onde uma mulher se  veste em cores,  a tristeza entende que terá trabalho e vaza dali. Se rolar  oração então,  ela foge rapidinho porque tem preguiça de fazer força  contra a luz que uma oração gera.

Não só ela, como a raiva, o medo ou baixa na autoestima era combatida à base de orações,  cores, música, flores e movimento. Ah… e perfumes, claro… Tudo mágico!

Ela que trabalhou duro para  criar três filhos sozinha, como repetia orgulhosamente – e com toda razão  – se estivesse preocupada, triste, nervosa ou “dura”, era encontrada toda arrumada,  sobre seus saltos na cozinha fazendo doces ou pratos elaboradíssimos com receitas incríveis que lhe eram passadas por uma amiga de família (quase) nobre. Ela reinventava tudo, a receitava era usada só para dar ideia…

Quando acordávamos e tinha bolo de chocolate na mesa… uhm…  já intuíamos que tinha algo errado.

Minha mãe fazia bolo para poder pensar melhor (eu faço perfumes). O café das 17 horas lá em casa era um evento.  Biscoitos de todo jeito – com destaque para o de nata –  bolos incríveis – bolo de fubá de milho com café, chocolate quente com creme de leite, bem grossinho… Isto quando não tinha rabanada, a qualquer época do ano – com leite condensado e frita com manteiga Alhambra – só podia ser esta.

Sexta feira era dia de feira na Garibaldi (ainda é),  nossa rua – ela acordava bem cedo, e ia na barraca do Sr. Ângelo comprar peixe antes de sair para o trabalho. Era tradição  lá em casa às sextas feiras o badejo à brasileira, ou a  corvina de linha – que ela explicava ser um peixe honesto e barato –  poderiam ser também postas de peixe frito com aquela casquinha bem crocante… e mais tarde trilha frita para comer com cerveja bem gelada.  Camarão? Sim. Tudo  era ao molho de camarão,  quando não  era frito…

Música, filhos, irmãs e sobrinhos todos em volta da mesa falando,  comendo,  rindo,  implicando e … “Mãe! Onde você está?” “Já vou…!” E não  vinha. Observava e tinha um prazer enorme naquilo. Fazer comida elaborada, juntar pessoas, vê-las felizes… e contribuía no que pudesse para isso, fosse família ou não.

Quando meu filho nasceu, ela virou avó de um príncipe. Redecorou a casa para recebê-lo. Morávamos com ela? Não, mas e o prazer em fazer isso para o neto? Ele cresceu e herdou o armário das guloseimas que um dia foi meu e de meus irmãos e primos.

Nesse tempo já  aposentada do serviço público com 50 anos – começou a trabalhar muito cedo – ela se dedicava à Vida e a tudo o que esta exigisse ou oferecesse. Fazia isso pela palavra e acolhimento. Não tinha aprendido a dizer “eu te amo com palavras”, mas naquela época era assim mesmo. Sempre muito bonita, bem vestida, sorridente e…problemas? Claro,  mas sua magia era “se pisar em espinhos for inevitável,  ao menos lembre-se de olhar as estrelas.”

Ela só envelheceu aos 82 anos, quando a Vida deu-lhe uma porradona que não deu pra segurar,  mas mesmo assim,  a Vida tinha uma carta na manga – o Alzheimer, que para ela  não  foi um mal. Esqueceu que a filha mais nova partiu cedo para a Espiritualidade. E ela, a mãe, ficou por aqui até os 89 anos dando conselhos incríveis para qualquer um que lhe contasse algo difícil… é …com Alzheimer mesmo! A Sabedoria faz morada no espírito e não  no cérebro.

Super querida, visitada por muitas pessoas, viveu usando suas cores, cantando e ouvindo músicas   e, claro, exigindo suas flores. Rosas vermelhas e maçãs não faltavam em seu quarto. Aprendi com ela que a grande magia é ter fé na  Vida e… viver. Deus faz o resto.

Salve o dia da Velha Sábia! (Ih.. ela odiava essa palavra: “velha”? Nunca!)

Perdão,  mãe, é só um arquétipo. Você nunca foi velha de verdade.

Obrigada mãe, obrigada Vovó por ter tido a coragem de ter 4 filhose por amorIsso faz toda a diferença!

O.E.: Mirra: siga o link

Para a rosa vermelha, fiquemos com um trecho de um texto do Marcelo Barroca sobre elas:

“…e para as Rosas Vermelhas, aprender que não é preciso ferir para se proteger. Exalar o perfume da sedução, sem vulgarização. Ensinar o requinte, o amor, a força, a beleza saudável e o valor real da vida. Fazer da palavra conquista o seu mantra e a vitória como destino.” (minha mãe fez isso).

Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

All author posts
Write a comment