9 de novembro de 2020

Personalidade Olfativa e a estória de Paty

Responsabilidade e alegria andam juntas. Contemplação e festa também. Esta é Paty.

Era uma vez duas amigas, Paty e Beth Mota. Elas têm muitas aventuras juntas para contar. São tantas estórias, que se fosse contar mesmo, teria que escrever um livro. Afinal, essa amizade vem desde o Século passado, na década de 70. Assim, hoje, apresento a vocês a Paty. Vamos começar por ela, por um motivo simples – seu nome. Escrevemos de uma forma, mas soa de outra. O nome dela é onomatopaico. Pois é, trata-se daquele som de quando uma gota de água fria cai sobre uma superfície quente. Qual o som que você ouviu aí na sua cabeça? Exatamente… “tchi”. Então, vamos falar da Patch (Patchi…)

Paty era uma menina com seus dezesseis anos quando a conheci. Tinha os cabelos castanhos queimados de sol, usava umas roupas engraçadas, como calças jeans compradas em uma loja chamada “Lixo” que ficava no Bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. As calças eram usadas, super desbotadas, e pareciam sob medida – o pior é que diziam que elas vinham dos soldados da Guerra do Vietnã. Ela não acreditava e usava com a atitude de quem usa a roupa mais cara “das paradas” . Era assim que se falava naquela época.

As blusas não eram blusas e sim camisetas de uma loja totalmente “in” chamada “Biba” ou mesmo camisetas Hering de todas as cores. Mentira. Tinha que ser branca, amarelo forte, vermelha ou verde bandeira. Para não dizer que ela não variava. Claro que sim. Comprava umas blusas de marinheiro azuis e amarrava na cintura.

Você pode estar pensando: “ora, naquela época todo mundo se vestia assim.” Não. Não era a maioria, isso eu garanto. O detalhe eram os sapatos que ela usava. Sempre com sola de borracha da loja mais cara naquele tempo. Tinha que ser aqueles porque as solas eram coloridas.

Enfim, Paty estudava como toda menina de sua idade, porém não gostava muito não. Ela pulava o muro do colégio tradicional onde estudava e saía direto na casa das amigas. Ali se reuniam para planejar o que fariam para se divertir – esta era sua “obrigação e maior compromisso”. Na casa dessas amigas rolavam os papos mais incríveis, pois falava-se de política – época da ditadura – e espiritualidade. Quanto a este assunto, o nível era alto, pois a conversa era com o pai das amigas, que já tinha lido tudo sobre o assunto, e era, sem sombra de dúvidas, um espírito evoluído vivendo por aqui.

Sua personalidade era muito interessante, pois num mesmo dia ia à escola, descobria o que estava se passando, pulava  muros, ia à casa das amigas, combinavam o que fazer à noite – que poderia ser um encontro com a galera -, alias, turma – toda ou saírem para dançar numa boite – sim, era época disso e não discoteca, danceteria, ou seja lá o nome que tenha hoje em dia. Quando era para ir à boite, precisava de um plano elaborado para contar à mãe e, não pedir permissão, mas contando a estória inventada fazer com que a própria mãe dissesse: “Vá sim, minha filha, se sua amiga precisa de você, não se faça esperar”.

E você acha que havia aí alguma maldade ou esperteza? Não. Ela tinha a cabeça no lugar, sabia o que queria e só fazia aquilo que achasse justo e seguro. Seus amigos todos eram uma rede de segurança. Todos  interessados em assuntos transcendentais, política apenas para conscientizar, diversão, praia, viagens e namoros. Tanto assim era que sua mãe adorava seus amigos e com eles não tinha proibições. “Vai com eles? Então vá!” E assim, saíam do Rio de Janeiro para São Paulo, Espírito Santo e por aí iam… Viajavam de madrugada, entravam em uma kombi e iam cantando do Rio ao Espírito Santo, só parando para uma passadinha no banheiro de algum posto de beira de estrada. Nessa hora, todos os meninos saíam do carro e ficavam tomando conta das meninas para que ninguém chegasse perto. Piadas inventadas na hora também eram especialidade da casa. Além disso, estórias de fantasmas, que alias, Paty morria de medo, mas queria ouvir todas.

Paty mentia para a mãe para não a preocupar, claro, e porque sempre prezou a liberdade. Ter que dar satisfação nunca foi seu forte, por isso até hoje mente para o marido, por exemplo, dizendo que o sapato novo ela ganhou de alguém, ou que custou 10 reais no camelô. Tem gente que acha que o marido dela se mete nessas coisas e que ela tem medo de falar a verdade. Ora, só quem não conhece mesmo, pois trabalha desde cedo, tem sua própria grana, mas preservar seus segredos, até sobre finanças é de vital importância para ela. E o marido? Até sabe que ela mente e ri. Não é mentira – é criatividade – Algo pertencente à família. Virou piada interna. O filho olha seus óculos de sol comprados nas óticas de grife e diz: “lindo, mãe! Foi dez reais no camelô?” “Claro que foi.” A mesma alegria ela tem quando compra óculos de sol na praia por vinte ou trinta reais – o importante é que seja bonito e colorido. Comprar por prazer de ter algo renovado. Não é exatamente pela matéria, mas pela sensação do novo.

Ela precisa de movimento, meia dúzia de gargalhadas por dia, amigos de verdade e nunca se furta a conversar com quem quer que seja, pois tem vontade de ajudar as pessoas. Sabe como? Falando. Pois é, aquelas conversas com o pai das amigas, as estórias que ouvia em família, principalmente de seu avô, a levaram a estudar sobre a espiritualidade, combinado com o português, que também estudou e se formou para dar aulas. Inventava coisas diferentes, ensinava poesia, música e levava os alunos à reflexão. 

Nem pense que ela seja daquelas pessoas que falam pelos cotovelos e não ouvem. Ao contrário. Sabe “emprestar seus ouvidos” muito bem, pois para poder falar com propriedade é preciso ouvir antes. Além disso, antes de ouvir alguém, ela tem o hábito de ouvir a si mesma.

Quando adolescente tinha o apelido de “a menina contemplativa”. Era capaz de ficar no meio dos amigos, todos falando, e ela admirando as estrelas, acompanhando o movimento das nuvens, procurando duendes entre as árvores. Assim, do nada ela voltava desse estado com uma ideia, com grande disposição, como se estivesse participando da conversa desde o princípio.

Adivinha o que ela anda fazendo hoje em dia? Dá aulas sobre ervas medicinais que aprendeu com a avó, ensina orações que aprendeu com o avô e dá consultoria sobre diversos assuntos holísticos que aprendeu por aí, mas que na verdade, traz registrado em seu espírito. É uma benzedeira moderna – tem consultório, participa de redes sociais e frequenta rodas de samba, apesar de ser amante do rock, como todas as pessoas de sua geração.

Ela sabe que além da chuva, nada irá cair do céu, e ainda que caísse, ela ainda assim precisaria de um bom motivo para acordar de manhã. Ter algo a conquistar. Sua vibração é a do por do sol. Cores vibrantes até acalmar e o céu brilhar com zilhões de olhos cor de prata mostrando que nos protege.

Ah… como eu sei disso tudo? É minha amiga de infância e falei com ela ontem. Pessoa real que se encaixa nos meus estudos de Aromaterapia. Hoje ela não é mais Paty – A chamo de Patchouli.

Meu Deus…! E a Beth Mota? Ah… é um capítulo a parte que já vem por aí…!

O.E.: Patchouli – energia quente; elementos Fogo e Terra. Responsabilidade, liberdade, inteligência emocional.

Artigo escrito por Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é professora de inglês por formação e aromaterapeuta por vocação. Escolheu dentre todas as possibilidades que a Aromaterapia apresenta, elaborar perfumes personalizados como item de “cuidados pessoais”. Para tal utiliza diversas ferramentas de investigação energética e emocional, fazendo anamnese profunda e testes olfativos. Dentre tais ferramentas podem ser encontrados a Carta Natal do cliente, o estudo dos setênios ou a leitura de oráculos com abordagem alquímica. Todos os produtos são elaborados com ervas e óleos essenciais da melhor qualidade, sem quaisquer aditivos químicos.

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