Nossas emoções são um pacote onde estão depositados todos os registros de nossa vida, tenhamos memória delas ou não.

Se considerarmos que em geral nos emocionamos com pessoas e eventos externos, podemos inferir que estamos guardando muito do que está fora de nós dentro do nosso pacote.

Ah… se causou-me emoção é porque encontrou algo em mim que teve ressonância com a circunstância ou pessoa. Isso é certo. Mas chega um momento em que nosso pacote transbordaa embalagem rasga e somos obrigados a ver o que está lá dentro.

Que sensação de estranhamento… quanta coisa que não reconheço,  mas ainda assim me causa mal estar ou dor. Não é “ainda assim”, ao contrário, exatamente por isso é que dói. 

É… mas não dá para devolver para o pacote,  a embalagem está rasgada. Um copo d’agua por favor! “Enquanto bebo a água, penso”Esta é a Estratégia número 1  (eu não inventei, vem de dentro como instinto).

Enquanto isso, corro para a janela em busca do horizonte – ah, não…! Dei de cara com um prédio cheio de cimento… Corro para a estratégia número 2 – procuro um pedaço de céu. Olho para cima. Enquanto faço isso, ativo o hemisfério direito do meu cérebro, que o ato de olhar para cima ativa. Preciso da intuição e criatividade que só ele pode me dar. Bem, ele e o coração são super parceiros, acho que são almas gêmeas.

Oxigenei o cérebro e o coração. Parei e pensei… É…, não é modo de falar – pra pensar com atenção (e sem tensão, pare!). Obedeci e descobri: hora de separar o joio do trigo. Olho com a mesma atenção para o pacote – a Vida tem suas imposições – tenho que olhar.

Vejo rostos antigos envelhecidos pelo esquecimento; vejo cenas amareladas e borradas com pincéis coloridos para disfarçar algo que não convinha naquele momento encarar; ouço vozes sussurrando algo,  ouço risos, mas nada daquilo é meu, penso. Por que me incomoda?

Ah… incomoda porque estava tudo misturado e massacrado dentro de um pacote, que de tão cheio rasgou-se. Nesse momento,  o estômago  doeu, a pedra nos rins se formou,  o coração deu um grito pedindo como criança: “cuida de mim?”

“Meu amor, estou aqui e cuidarei de você. Sabe por que? Você é a pessoa mais importante do mundo para mim.”

Como alguém pode ser feliz se não existir? Por isso o amor.

Agora que consegui entender o que os sussurros diziam, agora que sei quem falava – e não era eu – posso declarar-me amor e cuidar de mim.

E à você que me ouve dizer “eu te amo”, pode verdadeiramente acreditar, pois eu já sei o que é o Amor – é cuidar de mim e estar tão bem que posso e tenho vontade de acolher, beneficiar e felicitar o outro – ver o outro feliz e ser parte do processo, se necessário. Isto também é Amor! Como poderia me preocupar com você, cuidar de você, se não me tenho, se eu peço cuidado?

Usei a Estratégia número 3: Respirar… inspirar…  segurar o fôlego e: mergulhar! Meti a mão no pacote, falei com aqueles rostos não mais envelhecidos,  posto que os identifiquei,  limpei e me despedi com um grande “muito obrigada por ter me ajudado. De alguma  forma, você teve sua importância”; peguei a lanterna da coragem – o primeiro estágio da Fé (A Coragem de Áries – vira fé quando chega em Peixes) e olhei cena por cena, fixei os olhos e me retirei de cada uma delas – só assim pude ver com clareza.

Saí,  dali, me movi e tais eventos viraram história de Vida. Agradeci, peguei o Fogo do início das coisas,  não à toa o Fogo Ariano (para desapegar seja do que for, é preciso coragem) e fiz uma linda chama, as Salamandras dançaram e levaram ao Cosmos como fumaça minha gratidão;

Consegui identificar as risadas que estavam presas no pacote. Para minha surpresa as Fadas vieram pessoalmente  mostrar que as risadas eram minhas mesmo. Era a fé no Processo da Vida insistindo, lutando, soprando Ar – foi seu bater de asas contínuo que  fez com que o pacote se rompesse e eu enfim pudesse ver!

Ah… e as Ondinas onde estavam? Enfim, quando o pacote rasgou, elas vieram e limparam meus olhos – se apresentaram em sua forma mais expressiva em um ser humano,  vieram como lágrimas,  mostrando como são lindas e amigas. Não mais pés inchados, não  mais olheiras de panda, tudo volta ao seu lugar. Emagreci, acredita?

Olho para o lado e vejo uns gnomos sorrindo. Estão juntando as águas das lágrimas num pote transparente,  ali bate um raio de sol e um deles grita: “Achei!”. Curiosa acompanho com os olhos seu movimento. Todos o seguem. Gnomos e Ondinas fazem um grande jardim circular. As fadas batem suas asas levantando a terra, formando um desenho. “Nossa…! Meu Deus…, um jardim mandálico!” penso.  Existe essa palavra?

Começa a cair uma chuva fininha e o sol aparece. Forma-se um arco-íris. Sete cores, sete notas musicais, sete chakras, sete frequências vibracionais, hora do equilíbrio. Conforme caminhava tinha a nítida sensação de que o Caminho vinha também em minha direção – eu e o Caminho éramos um só – nos encontramos. 

Abriram-se as portas,  as janelas eram muito pequenas para mim, mas como foram importantes… Tudo começou com um raio de sol que por ali entrou.  Apenas um facho de céu? Não.  Faço parte do Universo. Ali, bem ali onde vi os devas, encontro uma bela árvore florindo. Nela vejo uma plaquinha com meu nome.

Agradeço ao passado – do meu pacote rasgado. Dele colhi as sementes -, ao presente em que me entreguei e respeitei para investigar-me e plantar as sementes. Só assim pude chegar aqui no Futuro, florescendo e dando frutos, agradecendo a sombra da copa que me protege, às flores que me colorem os olhos, aos frutos que me alimentam  e sigo “futurando”… Agora! Tudo está no seu lugar.

Não. Não faltaram os sete aromas.  Quais e Quando?

Sândalo Mysore – sempre – um abraço na minha alma;

Néroli – sempre – se o Sol tivesse um aroma qual seria?;

Jasmim Dama da Noite – para momentos especiais – quando? Agora! Sempre…!Canela – para aquele momento em que percebo que a peteca vai cair…,não deixo! Chamo a canela.

Mirra – porque precisamos desvendar nossos próprios Mistérios

Tangerina – porque a Alegria Cura e a Liberdade cria!

Vetiver –  porque me dá a real, mas de mãos dadas comigo. Poderia bem representar o Planeta Terra – apesar de maltratado, nos acolhe e regenera. Minhas anciãs, segundo o Constelador Sistêmico Marcelo Barroca.

Valéria Trigueiro

Valéria Trigueiro é perfumeterapeuta com experiência na elaboração de perfumes personalizados segundo o equilíbrio dos 4 Elementos. Seu trabalho define-se como "Aromaterapia e Espiritualidade.

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